oco. chapéu coco não há. nem chanel. só o arranhado do gato na minha pata. ops, pernoca. onde foram todos? os compromissos, os talões de cheques, os trocados, as moedas, os motoristas, as escovas. impublicável. chegou o tempo da aridez.
os esmaltes vive-se sem. arrancam-se as pelinhas dos dedos com os dentes ao sangue. e não é nada. ah, não? pois bem. cada macaco no seu entulho. e glória. e vem as ânsias. e o gosto de carne ao molho. não me publica isso, desgranido.
a chuva é bênção. e é queredura de sol. a chuva é fase. é ensinamento. quando o foco está no centro do saber. quando não, fodeu-se tudo. é água no vaso. toalha na cara. nariz em vermelhos pingos. me esquece. que eu te lembro.
ah, pois é. eu te lembro no vazio das noites sucessivas. eu me lembro de ti no agudo do ronco dos motores. de onde saiu isso? ia dizer no estampido dos revólveres e armas calibrosas. e nem assim eu saberia. pois é, isso dessa doença, o amor, não se sabe não. só por hoje não quero nem saber.
um rico chá de macela. uma caneca rósea. um futuro sorridente. apesar da leve má vontade. é só tédio e solidão. não é mais nada.
o mundo é grande lá fora, tem furacões, tornados, chuvaradas, filmes ótimos pra se ver, línguas pra se aprender. um universo. um universo. e aqui são só quizimbas. e o que são quizimbas? me deixa dizer quizimba hoje pra coisa pequena, que faz pouca desimportância.
acabou o tempo. tudo tem a sua etiqueta. até as linhas de um blog. e a paciência de quem se prestar a ler. me desocupei de mim. estava contando umas coisas aí. acho que deu. deixa ir o próximo trem.
se reza braba não existia não tinha esse fulgor dentro do meu coração hoje. meus dois corações. um no centro, às margens do riozinho. e outro também centralizado às margens da água grande, mais pra cá. mais pra perto do mar. quem é que tem um coração só? o coração é quase sempre plural e afeito a palpitações.
tenho ouvido dizer. ouvidos são dois, não é não? tenho ouvido, pequenininho, que os dragões é que têm um só coração. por isso amam demais e explodem no ar feito bolhas metálicas com pólvora dentro. os dragões são bombas modernas que existem perto dos rios onde vão dar os corações das pessoas.
tudo isso é reza, oração, coisinha, paizinho me salva, vem cá meu deus. e xarope de homem branco também. misturado com as ervas da véia. e a mão do japonês. um santo aquele homem. não usar o santo nome do Homem em vão. entendeu que era figurativo, não é?
pois salve a reza, salve os orixás, salve a santidade do divino, salve tudo que é benfazejo e eleva a alma ao estado de bem-aventurança.
hoje sei pouco pra te contar do mundo. um começo de causo do simões lopes neto, declamado pro sobrinho dormir. e quase que dá uma tia lascada de gosto. uma segunda-feira de delícias, em que a morte apenas disse adeus de longe. na poeira da estrada. tem tempo pra tudo nessa vida. até morrer e nascer. e ser feliz. e chorar.
o próximo dia é sempre o dia de meter tudo num panelão de cobre, misturar, misturar, e fazer um bolo. o dia mesmo era sempre ontem. o menino é que sabe. amanhã é hoje. aliás, hoje é sempre hoje. fazer a mistura é sempre agora a hora. e depois, só depois. dormir o sono dos integrais. hahaha. eu ainda gosto de brincar. segura o saiote da menina. e a bombacha do mocinho. vão brincar de mãe-da-rua. tu já brincou? é reza também.
tudo que faz bem pra um ou dois ou mais dos corações da gente, é coisa que leva pro céu. é, falei pro céu mesmo. não o céu que inverte o inferno. o céu dos benfazeres. o céu que é estar bem. e em comunhão com o mundo, os outros e consigo mesmo. e sigo, sigo, sigo.
só falta um samba aqui. cadê a sandália?
como diz o enrico: “tchau. beijo. boa semaninha.”
poderosa dona ivone lara. te sou fãzíssima. me encanta.
kid abelha também gosto.
a verdade é que só achei essa música, que amo, com as duas.
então vá lá. vale ouvir.
o nome da música é "nasci pra sonhar e cantar". e o que comove é o verso que diz "o que trago dentro de mim preciso revelar".
agora deu.
vou ouvir mais uma vez "fé em deus", com o diogo nogueira. super.
somos todos diferentes. cada um. e é bem difícil açambarcar a diferença de cada um. há sempre um referencial. e a tendência é querer que todos sejam meio parecidos com a gente. não é assim?
acolher a diferença. e incluir. é difícil. é exercício. diário. é o cotidiano. é o grande desafio do momento. tem que ser já. o tempo todo.
o jeito como o filho do vizinho é educado. ou mal educado. hehehe. e às vezes a diferença está bem mais perto de nós. dentro de casa. e é preciso respeitar. conceder o benefício da diferença. porque não é meu nem teu o controle de como o outro deve ser.
cada irmão ensina e põe de castigo seus filhos como achar melhor. tu pode dizer o que tu pensa. mudar não pode.
a grande labuta é saber o limite. até onde posso expor meu pensamento e opinião. e quando devo calar diante do espaço que é do outro. sendo ele meu irmão, irmã, vizinha, colega de trabalho, chefe, mãe, enfim. odeio usar enfim. mas, enfim. vá lá.
ficar calado não é a saída. muito antes pelo contrário. o mundo precisa da tua voz. da minha. da dele. da de cada uma. o mundo quer ser plural. e respeitoso entre.
não é nada, não é nada. e eu fico ouvindo o canto de ossanha. meu irmão gosta do joca martins. minha mãe de umas músicas sertanejas para bailar, minha irmã ouve as notícias da band news. o outro irmão gosta do paulinho mixaria (é com xis?). isso é só o trivial. aquele parte do gosto não se discute.
pois a questão é que eu penso que se discute, sim. pra haver as trocas, o enriquecimento. só não se obriga ninguém a mudar. se oferece opções e se respeita.
pra um dia de finados, que afinal morrer a maioria não escolhe. ah, é? não? pois pra um dia de finados na praia sem tanto vento com sol já é muita reflexão. e reitero o que disse.
pra finalizar, duas boas. dos três anos dos meus sobrinhos.
estamos nós indo pra cachoeira. e eu mostro um cavalo meio pequeno pro enrico pela janela do carro. ele olha e diz. "se ele é um cavalo, porque é que ele não cavala?"
e a outra. o enzo aqui na praia diz. essa é clássica. "hoje já é amanhã, né? e amanhã quando é que é?"
suspende a guilhotina. e o dedinho de três anos decepado não era meu. nem de filho ainda não nascido. o sonhado. nem sobrinho ou afilhado. e ainda assim doeu saber.
suspende, suspende. trégua. libera o pescoço. dá chance pra coragem e pro desejo. vamulá. as frases de vambora, deixadisso, segueobaile estão todas por aí. em livros, sambas e taramelices. se tudo fosse só isso, como dizia kid abelha. e agora suspende. suspende o aço afiado. dá cá as sandálias.
deixa rolar a suntuosidade, a quase santidade dos magistrais e vamos cortar o que está vertendo pra doer. abaixo o muxoxo, a careta e quetais. pé na tábua. salto fino. no tempo do tempo que se sabe. miudinho, miudinho.
eu sou uma pessoa cada vez mais inteira. vivendo num mundo cada vez mais real. e cada vez mais ligada a outras pessoas. diferentes. únicas. trocando com elas. sendo cada vez mais rica e feliz. ah! bem. e dos fazeres. eu sou, inclusive, séria e apaixonada, relações públicas, por profissão. e escrevo, escrevo muito, por gosto e imposição. :-)