segunda-feira, 13 de junho de 2011

O caso do canelone

Foi tão difícil tirar aquela casca queimada daquele canelone hoje no almoço que não pude evitar de resvalar pra uma profunda reflexão existencial. Claro, os canelones são dados a isso.
Pensando bem, a vida não é mais do que uma longa, às vezes nem tão longa, que Deus nos livre, estrada, riquíssima de canelones a serem descascados. Descascados pra que possamos aproveitar o que há de bom no canelone, óbvio.
Não é uma coisa bonita?
É, se tivesse ficado por aí, teria sido quase uma refeição frugal.
"Frugal", palavra belíssima, de belíssimo significado, ainda vou ser uma pessoa frugal.
Mas, então, segui cogitando, não bastaria abandonar o canelone "avariado" no prato e pegar no bufê outro canelone novinho em folha e sem casca? Não seria esta a possibilidade de se servir só do que é bom nessa vida? Ignorar que tem gente que não come canelone nem no Natal. Até porque no Natal se come peru. E outras ignorâncias.
Duas questões se impõem diante desse quadro. Intransponíveis. A primeira é que eu prefiro "bifê", mas em tempos de revisão de textos, convém manter uma certa pose. A segunda é saber se alguém acredita em canelones sem cascas?
Enfim, nem o Romeu e Julieta conseguiram me fazer parar de me perguntar se é heroico ou patético insistir num delicioso canelone cascudo...
Tipo "tudo vale a pena se a alma não é pequena", sabe?
Enigmas. Enigmas.
Pra uma segunda-feira, o almoço foi bastante profícuo, não é?
Oxalá o universo conspire pra muitos outros almoços serem assim.
Cuidado!
Vou te convidar pra almoçar amanhã.
:-P

1 comentários:

Ederson Nunes disse...

Olha, realmente eu não sou chegado em um canelone cascudo. Prefiro trocar. Ou não comer. Tirar a casca e ficar só com o recheio, não compensa. Acho que tem q ser algo balanceado com massa e recheio, se não o canelone perde a identidade.