terça-feira, 5 de julho de 2011

Mudança e água benta não fazem mal a ninguém

Mudar em tempos bicudos. Que quais não são.
Algumas ocorrências, ai, este meu linguajar sempre me denunciando, ai, fiz de novo, pois algumas situações têm me feito pensar em mudanças.
Em mudanças que acontecem.
Porque é curioso que a gente sempre fala que tudo muda o tempo todo, mas sabe o quanto é difícil promover a modificação de coisas que nos incomodam. Dentro. Na gente, nos outros e nas dinâmicas das relações que a gente estabelece com esses outros.
Não é isso que chamam de paradoxo?
Pois então, é ou não é assim?
Ainda ontem bebíamos água de poço e é tão sofrido deixar de lado determinadas concepções, sentimentos e condutas. A água mineral engarrafada não fez a gente produzir com o marido, o chefe e o irmão as desejadas inovações comportamentais que fariam evoluir tão valiosas ligações afetivas.
O que eu quero te contar é que existe, de fato, a possibilidade de se agarrar a mudança pelo rabo. Ou melhor, entre os dedos, antes que escoe pelos ralos.
Tenho visto, como sob uma lupa, o lago parado e profundo do comportamento, aprendido e ensinado, se transformar na água que corre crespa por sobre as pedras.
São, é claro, sutilezas. E das delicadas.
Começa, sim, dentro da gente. Trabalhosíssimo. Para, depois, existindo dentro, se exteriorizar, em posturas, ações e reações diversas das que tínhamos antes.
Concluo, incompletamente, que mudar é surpreender-se. A si mesmo e ao outro. Ensinar-se coisas novas, por mínimas. E difundir essa autoeducação. Educando.
É o que ocorre, por exemplo, quando escolho passar a limitar aplausos e validação a medidas que me sejam convenientes. Ou quando personalizo adequadamente as configurações de privacidade do meu Facebook existencial. E, também, quando prefiro envergar o desejo genuíno de amar sem medidas, sem rótulos e livre de expectativas pré-estabelecidas.
É real, é possível, funciona. Delimita e alivia. Preserva e libera. Liberta e faz fluir.
Talvez, seja preciso mesmo ver com outros olhos as mudanças interiores e suas manifestações externas. Olhos inusitados, eu diria. Porque a roda do mundo gira em tempos distintos dentro e fora.
Realmente, mudar não é uma escolha. E escolher mudar não é ligar a torneirinha e encher o copo. É um poço, demanda mergulhar. Voltar, mesmo no inverno, é refrescante.

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