É que não existe um "jeito" segundo o qual as coisas devem ser pensadas, sentidas, ditas, feitas.
O queijo é que sabe ser inteiro.
Tenho pedido queijo colonial quando compro fatiado, porque gosto de ver os furos.
Aliás, verdade seja dita, meu projeto de vida é ser um queijo colonial, desses bem cheios, redondos, gordos, amarelos, como a lua das crianças.
Porque o queijo é que tem o perfeito entendimento do que sejam suas faltas, desfilando elegante e potente, ao ostentar o vazio como simples possibilidade de beleza, de riqueza e de verdade.
E me fita, completo, da prateleira, desafiando meus defeitos, críticas, censuras e punições.
Decidi, quero ser um queijo.
Vou ali, cinco colheres de coalho antes de dormir.
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